sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Percebes que para entrar na toca deves diminuir de tamanho?
A cada ano crescemos ao menos em memória
E ao não abandonarmos um pouco dessa história,
Os buracos que se oferecem como novidade
Acabam minguando com o passar da idade...
Quem é você pergunta a lagarta?

Seu passado ou seu desejo de futuro?

FLÂNEUR DOS ABRAÇOS

A melhor maneira de conhecer uma cidade é perder-se nela escrevera Benjamin... Imagino que isso não seja valido apenas para as cidades. Os bons encontros, seja com qual corpo for, estão repletos de perdições. Eles exigem que tenhamos um devir flâneur para conhecer o outro e a si mesmo na invasão das intensidades produzidas. Quanta dor há num encontro, mesmo que seja bom, nele ficamos em pedaços, rachados pelo outro que insiste em nos habitar em sua diferença. O desamparo trágico do encontro nos faz vacilar, ativa certas defesas para a não efetuação da alteridade proposta pelo outro. Resistimos...

O que pedimos ao outro, neste momento de vertigem, para além de sua diferença catastrófica em nós, é um abraço. Abraço que nos envolve com sua alteridade, mas que ao mesmo tempo, nos embala para que nossa fragilidade possa ser afirmada e não escondida pela vergonha de ser fraco. Morremos e nascemos a partir de um abraço, flanamos por suas intensidades, desvelamos o outro em nós, a pequena morte insiste em ser abraçada...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

INCONSCIENTE GAGUEJANTE

Todo homem advém da gagueira. A partir dela e a superando é que o homem regulamenta as palavras e seus sentidos. Dá pausa nos impulsos, sustenta uma superfície fina que circunda o caótico gaguejante, aquilo que pulula incontrolavelmente e que faz a linguagem tropeçar. A problemática está quando o homem se esquece de sua origem gaguejante, posto que é com ela que se pode deslizar os sentidos instituídos das palavras. É no gaguejar que inventamos palavras, mundos, deslizes...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A POÉTICA DA CLÍNICA

Descobri o porquê de meu desejo em misturar psicanálise e esquizoanálise sem me preocupar com as possíveis tensões existentes entre elas. O que desejo é fazer poesia na clínica e no terreno poético o inimaginável é possível. Tanto a falta como a diferença aceitam a poesia...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

SOBRE A CURA E O SINTOMA

O sintoma, característica da neurose a luz da psicanálise, é o que movimenta o sujeito do inconsciente, ou seja, puro ato utópico. Como querer curar o humano de suas utopias então?

O AVESSO DA MAGIA

As estrelas choram, eu não...
Uma lagrima escondida teima em nascer, Você não.
O não parece vencer,
e a magia fica a morrer.
É melhor ficar desperto,
sonhar não faz sentido!

Uma estrela consegue arranhar o universo,
nós dois nem ao menos nos raspamos.
O abismo de seus braços bem abraçados me convidam a pular,
mas sempre fico paralisado no ar, sem rumo, sem prumo em seu recuar.

Não há forma errada de amar,
somente existem corpos que parecem não se deixarem afetar.
Afetar?
Não tenho como fazer isso sozinho,
por isso encerro esse caminho,
ficando pequinininho,

desfazendo um equívoco utópico que me embalou com a melhor das melodias...

SOBRE ARTE, INVENÇÃO DE SI MESMO E O SUSTO

Belo documentário sobre a produção de cuidado no entre do desejo e da vida...



http://www.youtube.com/watch?v=bwqM_miIccQ